domingo, 18 de novembro de 2012

Objetização da mulher

Clarion de Laffalot fez um vídeo convocando vloguers e bloguers para discutir o assunto "objetização da mulher".



O Férias do Clark resolveu então dar o seu pitaco.

Antes de mais nada é importante salientar que eu não concordo com a objetização de quem quer que seja, seja homem ou mulher, mas reconheço o direito individual da pessoa se objetizar. E é importante salientar também que este texto será baseado em generalizações, sendo que é óbvio que existem excessões.


Sendo assim vem a pergunta. Existe a objetização da mulher? Sim, assim como o homem ultimamente também vem sendo objetizado pela mídia. Já existe um padrão de beleza tanto para homens quanto para mulheres e a causa disso não é biológica, mas social. Por que estou dizendo isso? Bem, vamos nos basear nos homens. Qual é o padrão de beleza imposto pela sociedade? Homens magros, sem pêlos, sem barba etc. Só que sabemos que o hormônio testosterona está diretamente ligado a presença e quantidade de pêlos. Ou seja, homens mais peludos possuem mais testosterona, que é um hormônio responsável pelos caracteres sexuais. Desta maneira, era de se esperar que a seleção sexual buscasse homens com mais testosterona e isso é algo que as mulheres deixaram de lado, na minha opinião devido a uma pressão midiática. A ponto de homens com pêlos começarem a se depilar para ficarem lisos.

Essa pressão também existe em mulheres. Hoje em dia os homens buscam a chamada "mulher cavala". Só que essa objetização vem ocorrendo com as mulheres a muito mais tempo. Isso é notório em todas as culturas. As mulheres sempre buscaram se embelezar e se enfeitar para chamarem a atenção e serem cortejadas pelos homens. Olhando nesse sentido, parece que também fica implícito um componente biológico nesta questão. Portanto, vou buscar me ater aos dias de hoje. Mas que fique claro que eu reconheço que há um fator de seleção sexual envolvido na situação, porém hoje em dia esse fator acabou sendo sobrepujado por outros.

 E neste quesito nossa mídia tem um papel crucial. Cormercial de cerveja com mulheres semi-nuas virou senso comum entre nossos publicitários. No mercado da teledramaturgia esse processo também vem se acentuando, com as "piriguetes do Divino" e afins sendo adoradas pelas massas e transformadas em ícones pelas próprias mulheres. Na música então, nem se fala...

Comercial da cerveja Antarctica de 1974



Comercial da cerveja Kaiser de 1984



Comercial da cerveja Skol de 1993



Comercial da cerveja Nova Schin




Ontem minha esposa e eu estivemos em uma apresentação de uma banda antiga de nossa região no Hard Rock Café Belo Horizonte. O público era muito variado de modo que o DJ tocou desde rock clássico, passando por pop dos anos 80 e chegando aos famigerados "funk" carioca e "sertanejo" universitário, que por sinal nunca se forma e vai fazer pós no exterior. Numa das músicas o cantor falava algo como, se fosse fácil "pegar" uma mulher com uma Land Rover e que difícil era pegar com uma Fiorino, ou algo nesse sentido. A mulherada dançando, cantando, rebolando como se aquela música não as tivesse chamando de "maria gasolina". As letras de funk então nem preciso dizer. Chamando as mulheres de objetos sexuais e elas dançando e cantando como se aquilo fosse um elogio. Alguns argumentarão algo como "ah, Clark, são só músicas e elas gostam do ritmo apenas, mas não concordam com o que está sendo cantado". Isso quer dizer então que eu posso ouvir uma música neonazista porque o ritmo é legal e portanto não preciso me preocupar com a mensagem que a música passa? Não é por ai. Ao consumir músicas desse tipo, as mulheres estão pedindo para que mais músicas assim sejam produzidas, pois o mercado fonográfico vai produzir o que estiver vendendo.

Onde eu quero chegar? Essa objetização da mulher foi criada por homens, haja visto os reis do brega de antigamente que já cantavam a mulher como objeto. Mas a partir do momento que a mulher também passou a fazer parte desse processo de objetização de si mesma, o processo se intensificou.

Veja esse vídeo abaixo inteiro. A mulher fica mostrando a calcinha e quando toma tapa na bunda e os homens que estão em volta começam a querer filmar por baixo do vestido, ela e a amiga de branco ficam nervosas e exigem respeito. Reação essa, que chega a ser hipócrita ao meu ver, pois ela deixou bem claro que queria mostrar. Agora, como que uma mulher dessa se dá o valor? É como eu disse, ela tem o direito de não se valorizar e de se ver como objeto, mas é importante salientar que a partir do momento que ela se vê dessa maneira, os outros também a verão assim.



Veja esse outro vídeo agora e me diga se uma mulher assim não quer ser vista como objeto. E esse é só um exemplo. No próprio Youtube existem milhares de vídeos de mulheres se gravando mostrando-se em poses e danças erotizadas.



Tem como frear isso? Na minha opinião existem duas formas de frear esse processo. A primeira é a censura. Algo inimaginável hoje em dia, apesar de que, ouvindo algumas letras de funk como eu ouvi ontem, a gente fica bem inclinado a apelar para isso. A segunda seria melhorar a educação, para assim as pessoas terem mais senso-crítico e consequentemente se valorizarem mais. Esse é um processo a longo prazo e nossos governantes não parecem querer. 

Mas ai vem outra questão. É necessário frear isso? Como eu disse, cada um tem o direito sobre si. Eu nunca consumiria uma música que, por exemplo, me chamasse de vagabundo.

A objetização da mulher existe, foi criado pelos homens e hoje em dia é aceito e intensificado pelas mulheres.

É isso. Deixe sua opinião.

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