terça-feira, 23 de outubro de 2012

Polícia Militar de Minas Gerais, nossa profissão, sua morte

Vou iniciar esse relato já fazendo dois adendos. Um, não são todos os policiais que agem da maneira que descreverei e dois, os policiais são profissionais extremamente desvalorizados tendo em vista o risco que alguns correm. Dito isso, vamos ao relato.

Até dois anos atrás eu vivia em Belo Horizonte, mas após me casar, fixei residência em Raposos, uma pequena cidade na região metropolitana de Belo Horizonte. Aqui a presença da autoridade policial é extremamente excassa. Quando há necessidade de intervenção, ou a polícia demora para atender ou simplesmente não vai até o local. Mas percebi que chegamos ao fundo do poço quando li o desabafo de uma moradora da cidade no Facebook.

Essa moradora e seus parentes perceberam, já tarde da noite, uma movimentação em seu terraço. Uma vez que todos os moradores da casa encontravam-se dentro do domicílio, julgou tratar-se de uma invasão, provavelmente um roubo. Algo que qualquer um na posição dela imaginaria. Temerosa sobre a atividade que estava ocorrendo à sua revelia, ligou para a Polícia Militar de Minas Gerais através do número 190.

Bem, neste momento a atendente a aconselhou a trancar-se no cômodo mais seguro da casa que uma viatura estava sendo deslocada imediatamente, certo? Errado!!!!!! Pasmem, mas a atendente pediu a mulher para ir ao terraço verificar se tratava-se realmente de um roubo e, após ter certeza, comunicar para que fosse enviada uma viatura. Simplesmente inacreditável! Sei de vários relatos de pessoas que precisando, chamaram a polícia e ela não apareceu no local, mas chegar a esse ponto? Parece piada, mas infelizmente não é.

Ao meu ver a situação chegou a esse ponto pelos seguintes motivos. O primeiro é o fato de Raposos ser outrora considerada uma cidade pacata, algo que não é mais verdade e a polícia deveria ser a primeira a saber disso. O segundo é o baixo efetivo da polícia e finalmente, o terceiro é a forma de seleção desse efetivo. Ora, todos sabem que concurso público no Brasil virou negócio. Quem faz um concurso para se tornar policial está pouco ligando para a segurança pública. Quer na verdade são os benefícios do serviço público, que são muitos apesar do baixo salário dos policiais. Ou seja, o policial brasileiro não tem vocação. Nesta conjuntura, é muito melhor manter o empreguinnho, o salariozinho, baixo é verdade e evitar ter problemas. 

A PMMG, Preguiça Polícia Militar de Minas Gerais, já esteve entre as melhores, mas o crescimento da violência no estado mostra que essa era outra época. Falta de compromisso dos governantes e policiais com a segurança pública, além de falta de planejamento no setor fazem pequenas cidades como a que vivo se tornarem refúgio de bandidos, que sabem que estão livres para agir com a omissão da autoridade pública. 

Quanto a população? Que se dane! Não sei qual foi o desfecho, pois vi o desabafo da moradora, mas não tenho laços de amizade para saber detalhes, mas caso ela tivesse realmente ido até o terraço, flagrasse alguém roubando sua casa e tivesse dado um tiro no vagabundo, tenho certeza que hoje seria alvo das inúmeras organizações de direitos humanos que só protegem bandidos. Em contrapartida, não vemos essas mesmas organizações em minha pequena cidade organizando um movimento para que o Estado deixe de ser omisso. Eles se esquecem que o ser humano tem direito a segurança. 


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