sábado, 16 de agosto de 2014

A Tragédia de Hillsborough: a morte de 96 pessoas em um estádio de futebol


O dia 15 de abril se tornou célebre na história da humanidade por vários motivos, dentre eles, conta o nascimento de Leonardo da Vinci (1452), o Naufrágio do Titanic (1912), o início da produção em larga escala da insulina (1923). a inauguração do primeiro restaurante da rede McDonald's em Des Plaines, Illinois, EUA (1955) etc. No âmbito esportivo a data teve três grandes fatos. Em 1947, Jackie Robinson se tornou o primeiro negro a disputar uma partida da Major League Baseball, a maior liga do esporte no mundo, em 2013 a tradicional Maratona de Boston sofreu um atentado terrorista e 24 anos antes, em 1989, o futebol seria abalado pela Tragédia de Hillsborough. No mesmo dia, 15 de abril de 1989, se iniciaram os protestos na Praça da Paz Celestial em Pequim e o presidente Sarney autorizou o congelamento dos preços pelo Plano Verão.

Mas voltando à Tragédia de Hillsborough, cujo nome deriva do estádio onde ocorreu, Estádio Hillsborough, em Sheffield (Inglaterra), o mundo chocou-se com a morte de 96 pessoas esmagadas durante uma partida entre Liverpool FC e Nottingham Forest válido pelas semifinais da FA Cup. Além dos 96 torcedores do Liverpool mortos pisoteados, outros 766 ficaram feridos. Foi o maior desastre do futebol inglês e um dos maiores do mundo.


Era o auge do hooliganismo, que geralmente envolvia invasões de campo e violência antes, durante e depois dos jogos. Dado esse cenário, era notório que essa seria a principal linha das investigações, que apontaram inicialmente o comportamento inadequado dos torcedores do Liverpool como sendo o principal motivo da baderna que culminou no desastre. Durante anos o relatório foi contestado.

Como é habitual em todos os jogos importantes, o estádio foi dividido entre os torcedores rivais. A polícia optou por colocar os torcedores do Nottingham Forest no setor Spion Kop End do estádio, o qual tinha capacidade para 21 000 pessoas. Os torcedores do Liverpool foram colocados na Leppings Lane End, com capacidade para 14 600 pessoas, apesar dos torcedores do Liverpool estarem em maior número do que os do Nottinghgam Forest. O começo do jogo estava marcado para as 3:00 da tarde, com os torcedores aconselhados a tomar suas posições com 15 minutos de antecedência. No dia do jogo, foi comunicado pelo rádio e pela televisão que os torcedores sem ingresso não deveriam comparecer. Entre 2:30 e 2:40 da tarde, houve um considerável acúmulo de fãs na pequena área fora das entradas com catracas para a Leppings Lane End, todos ansiosos para entrar no estádio rapidamente antes do jogo começar. Os torcedores que tinham sido impedidos de entrar não puderam deixar a área por causa da multidão atrás deles, permanecendo como um obstáculo. Ou seja, enquanto alguns precisavam sair, outros queriam entrar.


Com a proximidade do início do jogo, a polícia resolveu então liberar as catracas e abrir os portões destinados originalmente a saída. O resultado foi um fluxo de milhares de torcedores através de um túnel estreito na parte traseira do campo para as já superlotadas duas divisões centrais. As pessoas passaram então a serem pressionadas contra as grades.

Por algum tempo, o problema na parte da frente do compartimento não foi percebido por ninguém, além dos afetados; a atenção da maioria das pessoas foi absorvida pelo jogo, que já tinha começado. Já era 3:06 quando o árbitro, Ray Lewis, após ser avisado pela polícia, parou o jogo durante alguns minutos depois de os torcedores começarem a subir a cerca para escapar do esmagamento. A esta altura, um pequeno portão na grade havia sido arrombado e alguns fãs escaparam por esta via, outros continuaram a subir durante o cerco e outros foram puxados para a West Stand diretamente acima da Leppings Lane. Finalmente, o muro quebrou sob a pressão das pessoas.


Em 2009, um outro relatório, elaborado por um grupo independente, refutou as conclusões iniciais, alegando que o primeiro havia sido "adulterado" pelo governo para desviar as culpas para os torcedores do Liverpool.

Segundo informações divulgadas pelo Daily Telegraph, os depoimentos dados pelos policiais foram adulterados para que fossem removidos os comentários desfavoráveis e que, ao contrário do que se alardeava à época, os torcedores não estavam sob efeito de álcool a ponto de causarem o ocorrido. Assim, ficou provado que a tragédia não foi causada por ação violenta por parte dos torcedores, mas pela superlotação, bem como o péssimo estado de conservação e organização do estádio.




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