quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Gripen, a escolha certa!


Gripen, grifo em português, é uma criatura lendária com cabeça e asas de águia e corpo de leão. Na Grécia acreditava-se que viviam perto dos hiperbóreos e pertenciam a Zeus. Em tempos mais recentes, sua imagem passou a figurar em brasões pois possui muitas virtudes e nenhum vício. Possui senso de justiça apurado, valoriza as artes e a inteligência, e domina os céus e o ar. Devido a isso, assim como outros animais lendários, como o centauro, fênix e sereias, é o símbolo de um signo zodiacal. No caso, Libra, a balança.


Muito apropriado, portanto, a escolha desse nome pela sueca SAAB para seu caça, que como todos sabem foi o vencedor do FX-2. Menos mal que esse sempre tenha sido a opção número 1 da FAB. Venceu o aspecto técnico e não o puramente político, principal parâmetro adotado por Lula durante sua gestão para anunciar que o francês Rafale estaria encabeçando a concorrência. Felizmente, os franceses perderam a oportunidade de usufruir da politicagem do ex-presidente, já que em momento algum se mexeram para rever seus preços.

Vale lembrar que a comissão da FAB (Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate), montada para analisar o assunto excluía o Rafale, contudo, para o Governo, pelo fato dos três concorrentes serem caças de ponta, qualquer decisão seria tecnicamente defensável. Queriam, portanto, usar a concorrência como barganha política em detrimento da opinião da Força Aérea. 

Inteligentemente, a comissão extrapolou suas prerrogativas, que seria apenas a de apontar os prós e contras de cada modelo e deixar a decisão por conta do Ministério da Defesa. Na prática, ela se comportou como uma espécie de comissão de licitação que analisou propostas e apontou uma decisão preferencial, deixando vazar para a imprensa.

Os militares conseguiram derrotar a opção do Rafale, mas sabiam que contrariar a decisão do presidente em favor de uma opção pró-americana, o caça F-18 da Boeing, seria politicamente inviável, já que não haveria por parte dos Estados Unidos transferência de tecnologia, algo crucial.


A decisão de Dilma em torno do Gripen acabou sendo a melhor possível, consideradas as circunstâncias. O Gripen seria tido como uma decisão “técnica”, dos militares, agradando-os, já que estavam sendo pouco prestigiados até então. De quebra, impôs uma derrota aos americanos, que pagaram um preço caro pela espionagem praticada contra a própria Dilma.

E quanto ao Lula e sua articulação política junto aos franceses? Politicamente para Dilma, foi importante a exclusão do Rafale, pois seria uma escolha do seu antecessor e não dela, mas para evitar desconfortos com o ex-presidente, providenciou o lobby para a instalação de uma fábrica para a produção de vários dos componentes do futuro caça em São Bernardo do Campo. A despeito de, obviamente, existirem regiões mais necessitadas desse tipo de investimento, mas que por não serem apadrinhadas por Lula, não surtiriam o mesmo efeito sobre o ego do ex-presidente.

De todo modo, a opção pelos suecos acabou sendo a menos pior para os americanos. O Rafale seria uma derrota maior. O Gripen tem vários de seus componentes fabricados nos Estados Unidos, incluindo o motor da General Eletric e o sistema de radar da Selex-Galileo, subsidiária americana da ítalo-britânica Selex ES.

Em suma, a escolha do Gripen foi certeira! Melhor opção técnica e, considerando a conjuntura atual, política também. A bem da verdade, o ideal seria desenvolvermos uma tecnologia própria, mas até lá... Seja bem vindo, Grifo!


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2 comentários:

  1. A Dilma escolheu este caça por que era o mais baratinho dos 3 .
    mais é tecnicamente inferior ao RAFALE e ao F-18 .

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  2. Temos que fazer parceria com a Rússia, são os melhores aviões de combate.

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