sábado, 17 de agosto de 2013

Bomba atômica brasileira: Documento secreto da Ditadura revela planos de guerra nuclear contra país vizinho

Um documento secreto do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) afirma que o governo brasileiro, durante o regime militar (1964-1985), cogitou a ideia de desenvolver uma bomba atômica visando à elaboração de uma política nacional para o uso de energia nuclear e também focando na segurança nacional.

O documento em questão foi divulgado pelo jornal "O Estado de São Paulo" esta semana e consiste em uma ata de uma exposição feita pelo então presidente Ernesto Geisel, durante um encontro do Alto Comando das Forças Armadas no dia 10 de junho de 1974.

Na reunião, Geisel admitiu a preocupação do governo militar com a questão nuclear depois de um teste atômico realizado na época pela Índia, do possível uso deste tipo de armamento pela Argentina e qual seria o posicionamento do Brasil diante da situação.

"A explosão recente de uma bomba nuclear pela Índia provocou comoção mundial e temos que considerar a hipótese de, em futuro não longínquo, a Argentina também pode explodir a sua. Evidentemente, isto gera inquietação entre nós e todos indagam qual será a posição do Brasil face à situação", disse Geisel.

   

"Nossa própria arma"

Diante disso, o presidente falou da necessidade em "desenvolver uma tecnologia para a utilização da explosão nuclear para fins pacíficos, o que nos permitirá, inclusive, se necessário, dispor de nossa própria arma".

Geisel lembrou que a Argentina teve "relativa facilidade de encontrar urânio", pois foi "mais favorecida pela natureza que o Brasil". Isso, na sua opinião, poderia criar uma condição favorável para que o país vizinho desenvolvesse armas nucleares.

Contudo, ele ponderou sobre o uso do urânio também para fins energéticos e, desta maneira, era necessário evitar julgamentos precipitados sobre os planos argentinos neste terreno: "nesse quadro, devemos evitar a abordagem passional do problema, capaz de nos conduzir a decisões precipitadas, por influência das supostas possibilidades ou intenções da Argentina", acrescentou Geisel.

Guerra continental

Mesmo assim, ele argumentou que seria o momento para uma revisão do conceito estratégico nacional e afirmou que "dentro da necessidade de atualização, ressaltada pelo EMFA, o conceito deverá abranger a hipótese de guerra continental envolvendo a Argentina".

O programa nuclear brasileiro começou a ser desenvolvido em 1976, em acordo com a Alemanha, para construir três usinas nucleares para a produção de energia elétrica.

Em 1998, o governo de Fernando Henrique Cardoso assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, mas o país já era signatário, desde 1968, do Tratado de Tlatelolco, o qual determinava que a América Latina e o Caribe se comprometiam como regiões livres de armas nucleares. Na constituição de 1988, o Brasil renunciou à possibilidade de desenvolver armas nucleares.

Fonte: Arquivo Misterioso


Nota do blog:

Enfim! Era uma época em que a corrida armamentista estava em alta. Particularmente, considero válido termos a tecnologia da Bomba para defesa. Ora, países que possuem a Bomba são mais respeitados e na conjuntura atual, onde o Brasil busca uma posição estratégica de maior destaque no cenário mundial, dominar essa tecnologia é fundamental.

A título de comparação, dos quatro membros originais do BRIC (posteriomente BRICS com a adesão da África do Sul), somente o Brasil não domina a tecnologia. Desde os anos 80, e antes disso no caso da Rússia, China e Índia possuem a tecnologia.

Notava-se uma preocupação maior por parte dos militares nestas questões estratégicas. O submarino nuclear, a tecnologia espacial, tem sua origem nos militares, mas ai vem os civis e... colocam inclusive na Constituição a renúncia, botando o Brasil estrategicamente em segundo plano e vulnerável defensivamente.

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